< xix, Portugal

António (Joaquim de Castro) Feijó (1859-1917)

Diplomata e poeta, deixou uma obra reveladora de tendências diversas, entre o Parnasianismo, o Romantismo, o Decadentismo e o Simbolismo, e influências eclécticas, de Leconte de Lisle, Théodore de Banville e Gauthier a Vítor Hugo, de Leopardi a Baudelaire, de Guerra Junqueiro a João Penha. Em 1883, formou-se em Direito na universidade de Coimbra, onde teve por companheiros Luís de Magalhães, com quem viria a fundar em 1880 a Revista Científica e Literária, Manuel da Silva Gaio e Luís de Castro Osório. De finais de 70 até início da década de 90, colaborou em periódicos como a Revista Literária do Porto, Novidades, Revista de Coimbra, Museu Ilustrado, O Instituto e Arte. Em 1882, publicou o primeiro volume de poesias, Transfigurações, marcado pela temática filosófica e pelo tom épico. Seguiram-se Líricas e Bucólicas e À Janela do Ocidente, reveladores de um lirismo mais depurado. Em 1886, ingressou na carreira diplomática, sendo primeiro cônsul no Brasil e depois ministro de Portugal em Estocolmo, onde viria a desposar uma jovem sueca, Mercedes Lewin, cuja morte prematura influenciaria uma certa temática fúnebre patente na sua obra. No Cancioneiro Chinês, colecção de poesias adaptadas a partir de uma versão francesa, revelou o gosto pelo exotismo orientalista. Em Bailatas, obra publicada em 1907 sob o pseudónimo de Inácio de Abreu e Lima, parece ter a intenção de parodiar o Decadentismo, mas a verdade é que muitas dessas poesias atingem consonância com a própria sensibilidade simbolista. As suas últimas obras, particularmente a colectânea póstuma Sol de Inverno, de 1922, espelham o lirismo sóbrio, o simbolismo depurado, os motivos melancólicos, outonais, e os temas da saudade e da morte, que são algumas das características da obra de António Feijó.