< xix, Portugal

(António Pedro) Lopes de Mendonça (1826-1865)

Romancista, dramaturgo, folhetinista, representante do socialismo utópico que marcou a Geração de 50 do século XIX, ficou na história da literatura portuguesa sobretudo como crítico literário. Oriundo de uma família burguesa, após uma efémera passagem pela Marinha e a participação no movimento setembrista, dedicou-se por inteiro às letras. Em 1843, publicou as Cenas da Vida Contemporânea, muito influenciadas por Balzac. Em 1846, ingressou no jornalismo a convite de José Estêvão, como articulista no jornal A Revolução de Setembro. Deixaria ao longo da sua vida uma extensa colaboração dispersa por periódicos como O Eco dos Operários, A Semana, Revista Peninsular e Anais das Ciências e das Letras da Academia Real das Ciências. Em 1849, publicou o romance Memórias dum Doido, inicialmente surgido em folhetim na Revista Universal Lisbonense, também influenciado por Balzac, e coligiu no volume dos Ensaios de Crítica e de Literatura um conjunto de artigos de crítica literária anteriormente publicados no jornal A Revolução de Setembro, onde tomou como referência o grande modelo literário da sua geração, Lamartine, e chamou a atenção para a necessidade do estudo das relações entre as literaturas nacionais. Em 1850, fundou, juntamente com Sousa Brandão e Vieira da Silva, o jornal socialista Eco dos Operários, onde divulgou o socialismo utópico de Proudhon.Em 1855, foi eleito deputado. Em 1859, publicou as Memórias da Literatura Contemporânea, refundição dos ensaios publicados dez anos antes. Em 1860, foi-lhe atribuída a cátedra de Literatura Moderna no Curso Superior de Letras, mas o excesso de trabalho mental depressa o conduziu à loucura, sem que chegasse a leccionar.