foto de (José Maria) Eça de Queirós (1845-1900)

< xix, Portugal

(José Maria) Eça de Queirós (1845-1900)

Filho natural de um magistrado, depois de uma infância passada fora do lar paterno, em 1861 vai cursar Leis para Coimbra, onde convive com muitos dos futuros representantes da Geração de 70 e acede a recentes ou redescobertas correntes ideológicas e literárias europeias, como o Positivismo, o Socialismo e o Realismo-Naturalismo, sem, contudo, participar activamente na Questão Coimbrã. Terminado o curso, inicia a sua experiência jornalística como redactor do jornal O Distrito de Évorae colaborador na Gazeta de Portugal, onde publica muitos dos textos postumamente reeditados no volume das Prosas Bárbaras. No final de 1867, integra o Cenáculo. Após uma viagem pelo Oriente, para assistir à inauguração do canal do Suez como correspondente do Diário Nacional, regressa a Lisboa, onde participa, com Antero de Quental e Jaime Batalha Reis, na criação do poeta satânico Carlos Fradique Mendes e escreve, de parceria com Ramalho Ortigão, o Mistério da Estrada de Sintra. Em 1871, profere a conferência “O Realismo como nova expressão da Arte”, integrada nas Conferências do Casino Lisbonense e produto da evolução estética que o encaminha no sentido do Realismo-Naturalismo de Flaubert e Zola, com influência das doutrinas de Proudhon e Taine. No mesmo ano, inicia, novamente com Ramalho, a publicação de As Farpas, crónicas satíricas de inquérito à vida portuguesa. Em 1872, inicia também a sua carreira diplomática, ao longo da qual ocupará o cargo de cônsul sucessivamente em Havana (1872), Newcastle (1874), Bristol (1878) e Paris (1888). É, pois, com o distanciamento crítico que a experiência de vida no estrangeiro lhe permite que produz a maior parte da sua obra romanesca, consagrada à crítica da vida social portuguesa, de onde se destacam O Primo Basílio, O Crime do Padre Amaro, A Relíquia e Os Maias. Durante esses anos, colabora em vários jornais portugueses com crónicas e contos, como A Actualidade, Gazeta de Notícias, Revista Moderna, Diário de Portugal e Revista de Portugal, que funda em 1889. Morre aos cinquenta e cinco anos, deixando um vasto espólio literário, que será publicado nos anos seguintes.

 
 
 
 
 
 
 

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