< xix, Portugal

(Joaquim) Teófilo (Fernandes) Braga (1843-1924)

Aquele a quem Ramalho Ortigão se referiu como “o trabalho de uma geração inteira empreendido no cérebro de um só homem” deixou uma obra monumental nos domínios da poesia, história e crítica literárias, historiografia, etnografia, filosofia e sociologia, política, ficção e tradução. Em 1859, publicou o seu livro de estreia, Folhas Verdes. Em 1861, partiu para Coimbra para cursar Direito. Na Universidade, relacionou-se com alguns dos membros da futura Geração de 70, entre os quais Antero de Quental, envolvendo-se nas manifestações de crítica ao academismo e colaborando em publicações como O Instituto, Revista de Coimbra, Revista Contemporânea de Portugal e Brasil e A Grinalda. Em 1864, publicou os livros de poemas Visão dos Tempos e Tempestades Sonoras, muito influenciados por Vítor Hugo, Michelet, Hegel e Vico, ambos acompanhados de textos teóricos onde expôs a sua concepção de uma poesia filosófica, que descrevesse as fases ideais da história da humanidade. No ano seguinte, tomou parte na Questão Coimbrã com o opúsculo As Teocracias Literárias, onde se insurgiu directamente contra Castilho, censurando a sua prática poética “palavrosa, nula de ideias”. Ainda em 1865, estreou-se na ficção com a colectânea Contos Fantásticos e publicou o ensaio Poesia do Direito. Em 1866, prosseguiu a sua explicação filosófica da história da humanidade com o volume de poesias A Ondina do Lago. Ainda em Coimbra, e até à conclusão do seu doutoramento, em 1868, traduziu Chateaubriand e iniciou o seu estudo das origens da literatura portuguesa, influenciado pelas leituras de Hegel, Schlegel e Grimm, que daria origem, numa primeira fase, a Cancioneiro Popular e Romanceiro Geral (1867), História da Poesia Popular Portuguesa, Floresta de Vários Romances (1868) e Cantos Populares do Arquipélago Açoriano (1869), e, numa segunda fase, a Contos Tradicionais Portugueses (1883). A partir de 1868, aprofundou as suas leituras do positivismo de Comte e Littré, de que seria um dos principais divulgadores em Portugal e que tentaria aplicar à história literária. Em 1869, ano em que perdeu o seu primeiro filho, publicou História da Poesia Moderna em Portugal e o volume de poesias Torrentes. Durante a década de 70, orientou o seu trabalho no sentido da criação de uma ambiciosa História da Literatura Portuguesa. Em 1872, já depois de publicadas a História da Literatura Portuguesa. Introdução (1870), a História do Teatro Português (1870-1871) e a Teoria da História da Literatura Portuguesa (1872), venceu o concurso para professor de Literaturas Modernas no Curso Superior de Letras. Reflectindo a sua experiência de ensino, publicou o Manual da História da Literatura Portuguesa (1875), a Antologia Portuguesa (1876) e o Parnaso Português Moderno (1876). Na década de 80, enquanto participava na revista literária A Renascença e dirigia as revistas de divulgação das doutrinas positivistas O Positivismo (fundada com Júlio de Matos em 1878), A Era Nova e Revista de Estudos Livres (fundadas com Teixeira Bastos, respectivamente em 1880 e 1883), orientou os seus estudos literários para a literatura contemporânea, publicando a História do Romantismo em Portugal (1880) e As Modernas Ideias na Literatura Portuguesa (1892). Em 1884, publicou o último volume de poesias, Miragens Seculares, que viria a concluir o ciclo encetado com Visão dos Tempos. Entre 1886 e 1887, no espaço de poucos meses, perdeu os dois filhos que lhe restavam; esta enorme tragédia pessoal despertou a simpatia de muitos dos seus adversários, incluindo Camilo, que lhe dedicaram o volume de elegias A Maior Dor Humana. Em 1891, redigiu o manifesto e o programa do Partido Republicano. Logo após a proclamação da República, em 1910, foi escolhido para Presidente do Governo Provisório. Em 1915, exerceu as funções de Presidente da República Interino. Entretanto, publicaria uma nova versão da História de Literatura Portuguesa (1909-1918).

 
 
 
 
 
 
 

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