< xix, Portugal

(Raimundo António de) Bulhão Pato (1829-1912)

Filho de portugueses, nasceu e passou os primeiros anos da infância em Espanha. A guerra civil espanhola obrigou a família a vir para Lisboa, onde Bulhão Pato frequentou a Escola Politécnica. Cedo começou a interessar-se pela vida literária, colaborando em periódicos como O Panorama, Revista Universal Lisbonense, Revista Peninsular e A Semana, e convivendo com escritores como Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Latino Coelho, Gomes de Amorim e Rebelo da Silva. Traduziu Shakespeare, Bernardin de Saint-Pierre e Vítor Hugo. Poeta ultra-romântico (sobretudo nos volumes Poesias e Versos, de 1850 e 1862), influenciado por Lamartine e Byron, tornou-se célebre com o poema narrativo Paquita, sucessivamente reeditado até 1894. Foi também autor de quatro livros de memórias, escritos num tom íntimo e nostálgico, interessantes pelas informações biográficas e históricas que fornecem. O seu estatuto de derradeiro representante de um Romantismo sentimental ultrapassado, a que as facetas de caçador e gastrónomo (é seu o livro de receitas O Cozinheiro dos Cozinheiros, de 1870) conferiam contornos de certa forma castiços, teria, ao que parece, servido de inspiração a Eça de Queirós na composição da figura do poeta Tomás de Alencar, em Os Maias.