< xix, Portugal

(João Baptista da Silva Leitão de) Almeida Garrett (1799-1854)

Garrett é o paradigma de aliança indissociável entre o homem político e o escritor, o cidadão e o poeta na época romântica. Nasce no Porto, no seio de uma família burguesa, que se refugia em 1809 na ilha Terceira, a fim de escapar à segunda invasão francesa. Nos Açores, recebe uma educação clássica e iluminista (Voltaire e Rousseau, que lhe ensinam o valor da Liberdade), orientada pelo tio, Frei Alexandre da Conceição, Bispo de Angra, ele próprio escritor. Em 1817, vai estudar Leis para Coimbra, foco de fermentação das ideias liberais. Em 1820, finalista em Coimbra, recebe com entusiasmo e optimismo a notícia da revolução liberal. Em 1821, representa o Catão e publica em Coimbra O Retrato de Vénus, obras marcadas ainda por um estilo arcádico, tal como os poemas que escreve durante este período e que serão insertos em 1829 na Lírica de João Mínimo. Em 1822, é nomeado funcionário do Ministério do Reino e casa com Luísa Midosi. Em 1823, com a reacção miguelista da Vilafrancada, é obrigado a exilar-se em Inglaterra e depois em França, onde se torna correspondente de uma filial da casa Lafitte. Contacta então com a literatura romântica, redescobre Shakespeare e, influenciado pelas recolhas de cancioneiros populares, começa a preparar o Romanceiro. Em 1825 e 1826, publica em Paris os poemas Camões e Dona Branca, primeiras obras portuguesas de cunho romântico, fruto da metamorfose estética em si operada pelas novas leituras. Em 1826, publica também o Bosquejo da História da Poesia e Língua Portuguesa, como introdução à antologia de poesia portuguesa Parnaso Lusitano. Em 1826, regressa a Portugal, confiante na na Carta Constitucional acordada entre D. Pedro e D. Miguel, mais moderada que o programa vintista, dedicando-se ao jornalismo político nos periódicos O Português e O Cronista. Em 1828, depois da retoma do poder absoluto por parte de D. Miguel, exila-se novamente em Inglaterra. Em 1829, publica em Londres a Lírica de João Mínimo e o tratado Da Educação. Em 1830, publica o tratado político Portugal na Balança da Europa, onde analisa a história da crise portuguesa e exorta à unidade e à moderação. Em 1832, parte para a ilha Terceira e participa no desembarque do Mindelo. Escreve, durante o cerco do Porto, o romance histórico O Arco de Santana e colabora com Mouzinho da Silveira nas reformas administrativas. Em 1834, é nomeado Cônsul-geral em Bruxelas, numa espécie de terceiro exílio motivado pelo cada vez maior desencanto em relação à política portuguesa, contactando com a língua e a literatura alemãs. Em 1836, regressa a Lisboa, separa-se de Luísa Midosi e funda o jornal O Português Constitucional. No mesmo ano, é incubido pelo governo setembrista de Passos Manuel da organização do Teatro Nacional. Nesse âmbito, desenvolverá uma acção notável, dirigindo a Inspecção Geral dos Teatros e o Conservatório de Arte Dramática, intervindo no projecto do futuro Teatro Nacional de D. Maria II e escrevendo ao longo dos anos seguintes todo um repertório dramático nacional: Um Auto de Gil Vicente, Dona Filipa de Vilhena, O Alfageme de Santarém, Frei Luís de Sousa. É por esta altura que inicia um romance com Adelaide Deville, que morrerá em 1841, deixando-lhe uma filha. Em 1838, torna-se deputado da Assembleia Constituinte e membro da comissão de reforma do Código Administrativo. Em 1845, publica o livro de poesias líricas Flores sem Fruto. Em 1846, sai em volume o “inclassificável” livro das Viagens na Minha Terra, publicado um ano antes em folhetim na Revista Universal Lisbonense. Em 1851, depois de um período de distanciamento face à vida política, regressa com a Regeneração, funda o jornal com o mesmo nome, aceita o título de Visconde e reassume o seu papel de deputado, colaborando na proposta de revisão da Carta. Em 1852, torna-se, por pouco tempo, Ministro dos Negócios Estrangeiros. Em 1853, publica o livro de poesias líricas Folhas Caídas, recebido com algum escândalo. Em 1854, morre em Lisboa.