< xix, Portugal

(Manuel Joaquim) Pinheiro Chagas (1842-1895)

Célebre polígrafo da segunda metade do século XIX, foi jornalista, poeta, novelista, historiador, dramaturgo, crítico literário, tradutor (de Ponson du Terrail, Alexandre Dumas, Octave Feuillet, Alfred de Vigny e Jules Verne, entre outros) e também político, tendo-se notabilizado como orador e tendo exercido os cargos de deputado pelo Partido Regenerador e de Ministro da Marinha, em 1883. Ocupou, entre várias funções, o cargo de professor no Curso Superior de Letras, para o qual concorreu com Teófilo Braga. Em 1865, publicou o Poema da Mocidade, cujo posfácio, assinado por António Feliciano de Castilho, viria a desencadear a Questão Coimbrã, na qual Pinheiro Chagas tomou parte com o opúsculo Bom Senso e Bom Gosto. Folhetim a propósito da carta que o sr. Antero de Quental dirigiu ao sr. A. F. de Castilho, onde defendeu Castilho, contestando a novidade e a substância das ideias literárias sustentadas por Antero. Em 1869, publicou A Morgadinha de Valflor, que o notabilizou como dramaturgo. Em 1871, interveio a favor do encerramento das Conferências Democráticas do Casino. Fundou, em 1876, o Diário da Manhã, mas colaborou em variadíssimas publicações periódicas, entre as quais O Panorama, Arquivo Pitoresco, Gazeta de Portugal, Jornal do Comércio, Diário de Notícias, A Ilustração Portuguesa, a Revolução de Setembro e Artes e Letras. Nas suas páginas deixaria numerosos artigos de crítica literária, em parte recolhidos nos volumes Ensaios Críticos e Novos Ensaios Críticos,de 1866 e 1867. Conhecido hoje sobretudo pelo conservadorismo das posições assumidas contra a Geração de 70 e pelo convencionalismo da sua obra literária, excessivamente marcada pelo Ultra-romantismo, Pinheiro Chagas mereceria porventura uma releitura, sobretudo no tocante à sua produção enquanto crítico literário.